Por onde tenho andado
Me peguei caçando eu. Por onde poderia eu estar já que fugi o feriado todo daquela vida insensata que me dei de presente no maldito vestibular? Bem, achei eu.
A história, foi a seguinte, resolvi adotar uma filosia de vida. Tudo bem, para alguns vai parecer conversa de botequim... "vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão" o que não significa também que nos botequins não se pode desenvolver filosofias e teorias altamente profundas! A atual filosofia, (digo atual que a verdade é que filosofias de vida podem mudar constantemente não é verdade? Mas claro, que seja eterna enquanto dure!), é a de que vou indo indo e entrando de cabeça nas coisas que a vida me oferece. Tá parece coisa de auto-ajuda... que na verdade é mesmo... não sei dizer exatamente quando, mas um dia por aí eu estava de bobeira e vi sobre a mesa da televisão um digital video disc (é que DVD soou muito sem graça), então lá estava ele sobre a mesa, reluzindo e solicitando carentemente que alguém tivesse a bondade de assisti-lo. Foi então que eu com meu tão bondoso coração sacrifiquei uma valiosa fração do meu tempo para deitar-me sem muita vontade num confortável colchão de ar. Abreviando, assisti "Sim, senhor" e saí com a cabeça meio afetada. Desde então vou levando minha vida sem muitas preocupações, e acreditando que cada vez que faço uma escolha é na verdade um caminho para outras e entrando em cada uma. Essa é a primeira vez que tento falar da minha filosofia completamente sóbria e agora descobri o quanto não sei explicá-la!
Não tomo minha filosofia como indicação para ninguém, pois no fundo sei que ela tende a encobertar meu grande defeito - começar coisas e deixá-las inacabadas - mas estou tentando lutar ainda contra isso.
Vou voltar um pouco e exemplificar para deixar mais clara.
Era dia de fazer matrícula na faculdade, depois de solicitar todas as matérias obrigatórias chega o dia que temos para as tais eletivas, como minha filosofia já estava consolidada, obviamente me matriculei no máximo que eu podia, mas apenas uma foi aceita: Rítmica. Procurei a ementa no site e onde estava ao meu alcance e nada... chegou o dia da aula e claro fui conferir do que se tratava... procurei o professor para uma prosa antes mas não o achei, fui ao colegiado certifiquei-me que me encontrava na turma e aproveitei para pegar a ementa: nenhum pré-requisito, aulas práticas e téoricas, pensei: -Bacana! Além de aprender identificar alguns ritmos vou saber finalmente algo de percussão. A verdade é que não era nada do que eu pensava. Deu a louca no professor e ele tacou umas partituras no quadro nas folhinhas e claro que ninguém tava entendendo nada... ops... só eu não estava entendendo nada! Bem, tentei me passar por invisível, era para bater palmas seguindo o ritmo e lendo aqueles códigos incríveis e impossíveis que ele chamava de partituras. Isso eu conseguia fazer! Bati palmas sem emitir sons... nunca me senti tão dissimulada! Quanda a aula já estava quase no fim e eu feliz com meu grande sucesso de passar despercebida ali naquela multidão de músicos (multidão eu inventei, mas tinha uns bons vinte por ali) foi que o Limãozinho (um pedaço!) resolveu fazer a chamada e "nos conhecer":
João!
-Presente!
O que você toca?
-Baixo.
José!
-Presente!
O que toca?
-Violão
Antônio!
-Presente!
Seu instrumento?
-Árvore.
Érika!
(ai, era eu... e agora?)
-Eu (vermelha igual minha blusa)
Seu instrumento?
-Nenhum (essa minha sinceridade ainda me mata!)
Canta?
-Não, obrigada.
Lê partitura?
-Também não senhor.
De onde veio?
-Da engenharia e só sei tocar peão...
.......... cri cri
Com certeza ele se perguntava: o que eu estava fazendo ali! Eu também me perguntaria, mas de acordo com minha filosofia, eu não estava ali atoa! Essa minha escolha me levou a outro caminho: Graças aquela aula o professor soltou indicações preciosíssimas de leituras, concertos, caminhos. Saindo da minha primeira e última aula de rítmica fui direto à biblioteca pegar o livro "Chega de Saudade", indicação do limãozinho (já disse que ele era um pedaço?). Agora digo-lhes, estou apaixonada por ele! (Não, não é o Limão, estou apaixonada pelo livro, apesar de que o Limão é um pedaço viu!). Por causa do livro estou mais apoixanada pela Bossa Nova, e é por aí que tenho andado!
Assim como Laura (ver o post "um pouco mais sobre Laura"), as vezes me apaixono por personagens de livros, nesse caso me apaixonei também, mas o personagem foi o ritmo! E é por aí que tenho andado nesse feriado!!
Como aconteceu com o João G., talvez esteja acontecendo parecido comigo. Ele buscava um ritmo diferente para seu violão, e eu para minha vida. Esse feriado encontrei pistas dele - uns drinks, sabores de festa, literatura, teatro, sabores do oriente, caminhada e contato com a natureza, família, imagem, ação, os dois juntos, tudo junto, sons da década de 40 e 50, carinho de cachorro, vira-latas, quatro sabores de lasanha, vovó e vovô mimicando, cadências e liricas nostálgicas, a descoberta da doce voz do Lúcio Alves, novos sentidos no Graveola, risos com Zé do Poço... se eu continuar vai ser mais uma coisa sem acabar de tanto que esse feriado me rendeu, então vou finalizar com um trecho do poético Zé, afinal, também estou me sentindo gostosa!
"Tô me sentindo tão gostoso, que eu mesmo tô comendo eu, não vou dar, não vou vender, não vou dar nem pra você, essa coisa de dar de graça é para comunista... pois eu sou capitalista, eu me tenho no estoque, pois sobrou só uma peça então decidi não me vender... "
A história, foi a seguinte, resolvi adotar uma filosia de vida. Tudo bem, para alguns vai parecer conversa de botequim... "vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão" o que não significa também que nos botequins não se pode desenvolver filosofias e teorias altamente profundas! A atual filosofia, (digo atual que a verdade é que filosofias de vida podem mudar constantemente não é verdade? Mas claro, que seja eterna enquanto dure!), é a de que vou indo indo e entrando de cabeça nas coisas que a vida me oferece. Tá parece coisa de auto-ajuda... que na verdade é mesmo... não sei dizer exatamente quando, mas um dia por aí eu estava de bobeira e vi sobre a mesa da televisão um digital video disc (é que DVD soou muito sem graça), então lá estava ele sobre a mesa, reluzindo e solicitando carentemente que alguém tivesse a bondade de assisti-lo. Foi então que eu com meu tão bondoso coração sacrifiquei uma valiosa fração do meu tempo para deitar-me sem muita vontade num confortável colchão de ar. Abreviando, assisti "Sim, senhor" e saí com a cabeça meio afetada. Desde então vou levando minha vida sem muitas preocupações, e acreditando que cada vez que faço uma escolha é na verdade um caminho para outras e entrando em cada uma. Essa é a primeira vez que tento falar da minha filosofia completamente sóbria e agora descobri o quanto não sei explicá-la!
Não tomo minha filosofia como indicação para ninguém, pois no fundo sei que ela tende a encobertar meu grande defeito - começar coisas e deixá-las inacabadas - mas estou tentando lutar ainda contra isso.
Vou voltar um pouco e exemplificar para deixar mais clara.
Era dia de fazer matrícula na faculdade, depois de solicitar todas as matérias obrigatórias chega o dia que temos para as tais eletivas, como minha filosofia já estava consolidada, obviamente me matriculei no máximo que eu podia, mas apenas uma foi aceita: Rítmica. Procurei a ementa no site e onde estava ao meu alcance e nada... chegou o dia da aula e claro fui conferir do que se tratava... procurei o professor para uma prosa antes mas não o achei, fui ao colegiado certifiquei-me que me encontrava na turma e aproveitei para pegar a ementa: nenhum pré-requisito, aulas práticas e téoricas, pensei: -Bacana! Além de aprender identificar alguns ritmos vou saber finalmente algo de percussão. A verdade é que não era nada do que eu pensava. Deu a louca no professor e ele tacou umas partituras no quadro nas folhinhas e claro que ninguém tava entendendo nada... ops... só eu não estava entendendo nada! Bem, tentei me passar por invisível, era para bater palmas seguindo o ritmo e lendo aqueles códigos incríveis e impossíveis que ele chamava de partituras. Isso eu conseguia fazer! Bati palmas sem emitir sons... nunca me senti tão dissimulada! Quanda a aula já estava quase no fim e eu feliz com meu grande sucesso de passar despercebida ali naquela multidão de músicos (multidão eu inventei, mas tinha uns bons vinte por ali) foi que o Limãozinho (um pedaço!) resolveu fazer a chamada e "nos conhecer":
João!
-Presente!
O que você toca?
-Baixo.
José!
-Presente!
O que toca?
-Violão
Antônio!
-Presente!
Seu instrumento?
-Árvore.
Érika!
(ai, era eu... e agora?)
-Eu (vermelha igual minha blusa)
Seu instrumento?
-Nenhum (essa minha sinceridade ainda me mata!)
Canta?
-Não, obrigada.
Lê partitura?
-Também não senhor.
De onde veio?
-Da engenharia e só sei tocar peão...
.......... cri cri
Com certeza ele se perguntava: o que eu estava fazendo ali! Eu também me perguntaria, mas de acordo com minha filosofia, eu não estava ali atoa! Essa minha escolha me levou a outro caminho: Graças aquela aula o professor soltou indicações preciosíssimas de leituras, concertos, caminhos. Saindo da minha primeira e última aula de rítmica fui direto à biblioteca pegar o livro "Chega de Saudade", indicação do limãozinho (já disse que ele era um pedaço?). Agora digo-lhes, estou apaixonada por ele! (Não, não é o Limão, estou apaixonada pelo livro, apesar de que o Limão é um pedaço viu!). Por causa do livro estou mais apoixanada pela Bossa Nova, e é por aí que tenho andado!
Assim como Laura (ver o post "um pouco mais sobre Laura"), as vezes me apaixono por personagens de livros, nesse caso me apaixonei também, mas o personagem foi o ritmo! E é por aí que tenho andado nesse feriado!!
Como aconteceu com o João G., talvez esteja acontecendo parecido comigo. Ele buscava um ritmo diferente para seu violão, e eu para minha vida. Esse feriado encontrei pistas dele - uns drinks, sabores de festa, literatura, teatro, sabores do oriente, caminhada e contato com a natureza, família, imagem, ação, os dois juntos, tudo junto, sons da década de 40 e 50, carinho de cachorro, vira-latas, quatro sabores de lasanha, vovó e vovô mimicando, cadências e liricas nostálgicas, a descoberta da doce voz do Lúcio Alves, novos sentidos no Graveola, risos com Zé do Poço... se eu continuar vai ser mais uma coisa sem acabar de tanto que esse feriado me rendeu, então vou finalizar com um trecho do poético Zé, afinal, também estou me sentindo gostosa!
"Tô me sentindo tão gostoso, que eu mesmo tô comendo eu, não vou dar, não vou vender, não vou dar nem pra você, essa coisa de dar de graça é para comunista... pois eu sou capitalista, eu me tenho no estoque, pois sobrou só uma peça então decidi não me vender... "
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