Eu garçonete

Agora estou atrás do que sempre quis, chega de falar que quero uma moto, vou ter uma... ainda não sei como, mas terei. O primeiro passo foi tomado, iniciei o processo de inclusão na carteira. Já fiz minha primeira aula!!! Com que dinheiro? Bem, isso é uma boa história.
Agora sirvo... sirvo pessoas, minha profissão: garçonete. Já se foram dois fins de semana de trabalho, exercícios de paciência e submissão. É dizer pois não, em que posso ajudar, sim, me desculpe, o senhor está certo (mesmo não estando), aguentar a cara ruim do chefe e ficar 8 horas intermináveis de pé. Já falei: ser engenheira é mais fácil!
O trabalho em si não é tão ruim, mas é difícil lidar com seus colegas, muitas vezes seus adversários. É difícil engolir o salário que se paga e ainda ouvir dos colegas que é um salário muito bom, não, sem comissão não é! É difícil ver os funcionários aguentarem calados as horas extras sem receber e a comissão de 5% "pra casa", que deveria ir ao funcionário. Aguentar sempre calado pois se não for dessa forma seus filhos ficam sem alimento. Não é romantismo, é realidade. Noventa por cento dos funcionários são jovens de seus vinte e poucos anos que são esperados em casa por seus filhos tidos precocemente, apenas seus filhos, nada de companheiros, maridos/mulheres e afins. Outros 9% são homens e mulheres também com seus filhos na faixa dos 14 a 16 anos, sempre descasados. E o restante, o 1% sou eu e um jovem futuro militar, um carinha assim bem bonitinho.
Meu último dia de trabalho, mais necessariamente, ontem, foi o mais tenso de todos, apesar de ter saído no mesmo dia às 3 horas da manhã, tive que estar no restaurante novamente às 3 horas da tarde, com o baixo movimento de carnaval, o chefe dispensou todos os outros funcionários só ficando quem já estava, mas para meu azar, às 9 horas da noite, os clientes resolveram fazer seu carnaval ali mesmo, e apenas eu e um outro garçon para recebê-los dentro do salão, corre corre em fim de expediente e ainda me pediram para "aguentar as pontas" depois das 23h, o que implica mais de 8 horas de trabalho em um dia que já comecei cansada. Será drama meu? Não sei, mas quebrei uma garrafa, cadastrei pedidos errados e teve uma hora que tive que me retirar do salão e chegar aos prantos no banheiro dos funcionários, fui consolada pela pela cozinheira que também esteve em apuros sozinha na cozinha. Quem viu de fora provavelmente me achou exagerada, dramática e fraca. Mas eu aqui de dentro me lembrei: esqueci de tomar minha pílula! Será que ter esquecido da reposição de hormônios foi de total relevância no episódio? Bem, não sei como fiquei no restaurante, fui-me embora sensível e sem muita paciência. Ao chegar no carro, tive que dispensar uma possível discussão com meu pai quando ele soube que tudo era por causa da minha carteira de moto. Não importa a opinião dos outros, comprarei e andarei de moto, custe o que custar!

Comentários

Nem sei como acabei no seu blog e achei o máximo vc de garçonete, sua descrição do dia foi ótima, devia estar em outra profissão mesmo!! Mas tbém gostei muito da sua persistência, isso ai! Firme no propósito e na motoca!!
Prazer em conhecer!

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