Estou em momentos de descobertas, procuro novos músicos, novas pessoas, novas tarefas... e por que não novos autores?
Andando pela biblioteca resolvi julgar livros pela capa e pegar no escuro gostando apenas do título, foi assim que conheci o autor Raimundo Carrero, com o livro O Delicado Abismo da Loucura. A capa era bonita e o título interessante (apesar de controvérsias de um certo holandês).
Procurei pela internet críticas sobre o livro, informações sobre o autor, Raimundo Carrero é pernambucano e tem portanto tem aquele sotaque que funciona como ímã para mim, é incrível o quanto gosto de ouvir pernambucando fraseando literatura.
Vai chover!
É fato e é exato, realidade irrefutável que não podemos seja quem for fugir dela, vai chover. Assim como a loucura, não tem homem que anda por aí e não se depara com esse abismo que distancia o homem daquilo que alguma vez procurou alcançar, um abismo a loucura.
Vou e volto, assim como Carrero em "A História de Bernarda Soledade", segundo ele, não escolhe o destino dos personagens, mas iniciou-se o conto com as Soledades já destinadas: a loucura. Todas elas. Gabriela, Bernarda e Inês. Afinal, é destino certo para todos nós. Ele disse isso? Talvez não. Mas em "As sementes do sol" percebemos o quanto o abismo é sutil, a personagem Mariana parece ter clareza de suas atitudes e decisões, clareza da possibilidade de loucura, mas clara está que louca não é, é feliz ao querer ser santa, se veste de santa pois decidiu que assim será, acha coisa normal o desejo do irmão e por gostar muito dele não vê problemas em dar o que quer e foi assim que percebeu que tem de ser santa, o corpo forte e másculo do irmão te trouxe a santidade, mas não, louca não é. Todos os personagens convivem com alguma aflição, vista de fora, com a loucura, a perturbação. A fé em Deus está sempre presente, a religião neste momento se apresenta como destino dos loucos, é a forma que eles encontram de se acalmarem, é o destino dos loucos, e no fim de todos.
Carrero ganha o prêmio de São Paulo de Literatura de 2010, parabéns Carrero, o prêmio foi pelo livro "A minha alma irmã de Deus", mais uma vez uma personagem louca, a qual conhece-se lá no fundo, Camila que quer ser santa e quer oferecer seu corpo, ter um corpo social. Não li, vi o curta que não tem lá muita qualidade no quesito interpretação, mas é interessante e me interessou bastante a trilha sonora.
Vai chover!
0 Minhoquinhas:
Postar um comentário