As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia

O primeiro livro da saga chegou ao fim. Você já sentiu tanta raiva, mas tanta raiva que deu vontade de fechar o livro e jogar para o lado? Pois então, é isso que acontece quando você chega no ponto crítico desse livro.
Não me considerava uma pessoa muito cristã, mas ao ler toda essa narrativa que separa o mundo em duas concepções tão distintas, vi o quanto meus sentimentos são influenciados pelos valores cristãos. Sim, sou cristã.
É difícil não sentir raiva dos deuses, e é mais difícil engolir a submissão de um povo com esses seres que nunca viram ou ouviram, e mesmo assim não questionam a real existência dos mesmos. Mais difícil ainda do que isso, é quando um humano serve de intermédio entre eles - o povo e o Deus (nesse caso, a Deusa) - e fazem esse povo de marionetes fáceis. Acredito que ela mesma, a senhora da magia, Viviane, não sabia quando suas ordens partiam dela mesma ou da Deusa.
Essa submissão aos deuses não é tão diferente da nossa interpretação com o nosso Deus, no caso o Deus único. Mas pelo menos atualmente, essa submissão tal como é feita em Avalon é considerada fanatismo.
Um outro ponto que perturba no livro é o fato da Morgana, a personagem principal ser "pequena e feia tal como o povo encantado", é irritante pois nós os leitores nos acostumamos quando Igraine era a principal e era encantadora.
Gostaríamos nós, ou eu, que o "povo encantado" fosse um povo bonito. As fadas não deviam ser bonitas?
Engraçado também é ver Igraine agora tão distante quanto uma estranha, sendo que Igraine foi nosso primeiro contato com esse mundo. Mudamos da visão de Igraine para Morgana e assim fizemos com que Igraine não seja nada além de um coadjuvante na narrativa. Perturba. Irrita. Não com o livro em si, mas com nossa inflenciabilidade.

Vou dar um tempo com "As Brumas de Avalon" e vou começar o "A Cabana", depois continuo a saga.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Onde está a Segunda? [contém spoiler]

Renoir - o filme e a pintura

Travessia