Renoir - o filme e a pintura
O filme levava o nome do pintor, mas não conta a história de toda sua vida. Tenho dúvidas se o foco seria o pintor Renoir, seu filho Jean Renoir, ou uma de suas musas Andrée (Dedée). O filme narra apenas a fase de sua vida que conecta esses três personagens.
Fazendo uma busca rápida no wikipedia, percebo que o momento retratado nesse filme seria o chamado de "Período Iridescente". Dentre a lista de pinturas que ele pintou nessa época (~1915) algumas parecem mesmo ser com a Andrée, como foi mostrado no filme. Fiquei tentando identificar quais delas eu já teria visto nos museus que já visitei na vida. A pintura abaixo, que parece ser exatamente uma das pinturas que mostra ele fazendo no filme acho que a loira em pé seria a Andrée.
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| Femme au bain - 1915 - Nationalmuseum - Estocolmo |
Engraçado que nesse trecho do filme, o filho sugere que ele use o preto, mas ele diz que não há espaço para o preto em suas pinturas, que prefere pintar o mundo agradável e alegre. Mas pelo que entendi, essa é uma característica própria do impressionismo, período anterior de sua vida (1870-1883), e todo o filme parece representar justamente esse estilo. Várias vezes ele mostra a musa em uma determinada pose mas Renoir a pintava como preferia, talvez o filme exagere um pouco, mas em resumo o impressionismo tem essa característica de mostrar a impressão do artista como elemento a ser valorizado. Outro ponto a ser observado é o quanto ele pintava ao ar livre, característica forte do impressionismo, onde as cores e luz são tem papel fundamental nas pinturas. Abaixo coloco duas pinturas do seu período impressionista e que tive o privilégio de ver pessoalmente nas minhas viagens pelo mundo. (As imagens são by google pois eu não sou dessas que fotografo o museu inteiro).
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| Une route, Louveciennes - 1870 - Metropolitan Museum of Art - New York |
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| La baigneuse au griffon - 1870 - Museu de Arte de São Paulo/São Paulo |
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| La Seine à Argenteuil - 1873 - Museu de Orsey - Paris |
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| Rose et bleue/ Alice et Élisabeth Cahen d'Anvers 1881 - Museu de Arte de São Paulo |
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| Baile no Moulin de la Galette - 1876 - Museu de Orsey - Paris |
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| Nu couché - 1883 - Metropolitan Museum of Art - New York |
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| Jeune Fille lisant - 1886 - Städel, Frankfurt am Main |
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| Gabrielle en blouse ouverte - 1908 - Coleção Privada (de quem será?) |
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| Coco (Claude) - 1905 - Museu de Arte Fred Jones Jr. Norman (Oklahoma) |
Engraçado que no wikipedia em inglês ele não nomeia esse nome "Iridescente", apenas fala sobre a mudança de direção voltando para "cores escovadas".
Agora sobre a Andée que a gente não falou, eu percebo uma certa ironia do destino, ela é representada na juventude como uma mulher que cobra que os homens tenham sonhos, que aspirem algo, assim como ela aspira ser artista de cinema. Essa é inclusive uma discussão que ela tem com seu amado Jean Renoir, de como ele seria um privilegiado e mimado, já que não precisa ter ambições. Mas o que ocorre no fim da história é que ela cai no anonimato e ele se torna um reconhecido cineasta... parece que tem gente que simplesmente tem ou não sorte não é mesmo?











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