É garotinha, como o tempo passa... hoje estou aqui numa vida totalmente nova, relendo escritos de anos atrás que eu nunca pensaria ficarem velhos, pois estão.
Não posso dizer que mudou totalmente, já que tem uma pontinha do meu eu que se mantém desde que me ensinaram que meninas gostam de meninos... e essa pontinha é só. Estou começando a acreditar sem peso de que ficará só para sempre e não mais fingir não ligar, eu realmente me acostumei com isso. Tem horas que ligo e são as horas que paro para pensar.
Trabalhar oito horas por dia faz com que seu pensamento se desvie, te ocupa. Hoje entendi, no real sentido dessa palavra, a famosa frase "O trabalho enobrece o homem". Te enobrece por que você não se ocupa de devaneios, não há tempo para achar a vida ruim, não há tempo para divagar. Tempo há, mas o que lhe resta é pouco demais para se entediar, para se questionar, para pensar em você. Há de se pensar na empresa, nos prazos, nos custos.
Hoje procrastinei minhas metas pessoais, me entreguei à preguiça, não malhei. Não estudei. Não produzi. Nada fiz... li eu mesma. E como li. Eu antes x eu hoje. Amadureci? Não sei... desisti, conquistei, ganhei, peso também, amor nunca. Não liguei, não amei, não cantei, não toquei. O que de novo fiz? Em que transformei meu suor? Para onde estão indo meus esforços, meus sonhos, meu suor? Onde estão os resultados, os números, os sons, os bens.
Não vamos deixar para lá: De cá pra quando tive um computador, um ventilador, uma cama de casal, uma bicicleta, uma calça jeans, um casaco pra todas as horas, um casaco para horas tardes, calcinhas pequenas, um dicionário de engenharia, um sonzinho (grande amigo), maquiagem, música... é não posso reclamar para onde tem ido meu suor, se transformou em matéria.
E meus amores? Meus amigos? Minha família. Estou só aqui nessa cidade quente.
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