Dia 2: Palavras mal ditas

Euforia desnecessária para surpreender uma companhia. Tem vezes que me sinto assim, eufória. E quando passa o furacão é que percebo tudo: euforia é sinônimo de paixonite, droga! Ainda não é hora, nem é lugar... Pessoa? Muito menos, perigo na certa, só a simpatia e beleza não vale o risco da queimadura. Se fosse só uma curtição estaria tranquilo, mas esse mato tem cachorro, melhor não adentrar. Até ali dia bom, clima bom, até que a planilha volta a pauta... Droga de planilha que me brochou o resto do dia. Mas a culpa não é da planilha, mas do gerente... Não valeria a pena registrar.
Sobre as palavras malditas ou mal ditas, elas saíram mais uma vez, como sempre... Da minha boca não, nunca me atreveria. Palavras podem amargar um dia inteiro de uma pessoa, acho uma das formas mais cruéis de atingir o outro. Sem querer ou não, devem ser evitadas. Mas ela as repetiu: Tenho dó! 
Não sei por que me irrita tanto, não sei se porque realmente acho que é um sentimento que não cabe e é deplorável ou se porque as vezes tenho a impressao de que falar isso é propositalmente tentar atingir com golpe baixo. Quem tem dó se sente em situação melhor do que aquele por quem se tem o dó. Ela disse que sente dó porque seria bom que alguem se interessasse por mim, mas alguem por quem eu tivesse o minimo interesse, "não um bobo igual o H." Por que manter esse padrão social de que mulher para ser feliz tem que estar com alguem? Por que a mulher que é solteira tem que gerar sentimento de dó aos outros? Porque ela não olha para sem umbigo e observe que essa busca incansável do interesse correspondido é uma busca sem resultados e  desnecessaria? 
Palavras me irritam, mas tem vezes que é melhor nao rebatê-las, melhor deixá-las passar. Por que valeu a pena? Por que me reafirmo a cada hora. 

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