Vontades de um fim de semana

O plano está na parede, ela revê no fim do domingo e pensa que realmente é um plano que faz sentido, mas para que ou quem exatamente? Que saco de teclado, teria sido uma boa escolha comprar seu PC no exterior? Talvez a solução seria não mais fazer perguntas, ou simplesmente abandonar o português.... não nenhuma dessas opções são válidas nesse momento de sua vida. O fim de semana se foi e ela preferiu não se importar, não se importou com plano, não se importou com o social, não se importou com a dieta, não se importou com compromissos de trabalho ou com a toalha da mesa.

Acompanhou a busca pela segunda, assistiu a vida de Renoir, ou melhor, o fim dela, muito jogo de futebol, conversou aqui e ali com uns crushs estrangeiros, nada profundo, e sim, tomou muito vinho. Tanto vinho que acordou no domingo achando que aquela era a sensação de se ter um AVC, se perguntou o que aconteceria se morresse ali sozinha na cama, por um AVC, quanto tempo levariam para descobri-la? Quase mandou mensagem para sua amiga avisando que estava tendo um AVC, até que conseguiu levantar da cama para tomar um remédio de dor de cabeça... não era um AVC... decidiu que não tomaria mais que um duas taças de vinho num mesmo dia. Cogitou correr, não lhe faltava energia, o que lhe faltava mesmo era vontade.

Lhe falta muita vontade para muita coisa, na verdade, nesses últimos dias se entregou a falta de vontade. Tentou ter vontade para o sexo, mas nem isso. Não sabe bem a quem culpar, seria ele que não a faz ter vontades? Ele sobe as escadas com o celular não mão jogando não sei o que, parece um zumbi... ela pensa que é apenas mais do mesmo, não dá para querer que a laranja esteja nova e fresca, se é aquela mesma laranja que semana passada você colocou na geladeira. Ela sugeriu que ele escolhesse o filme, ela estava disposta a ver qualquer besteirol, de boa, ou pelo menos tentaria. Assim ele o fez e isso só de mais motivos a ela para perceber que eles não tem nada a ver, não que o gosto por filmes tivesse que necessariamente ser parecidos, mas a cada piada sem graça que ele gargalhava, mais o tesão sumia. Jout Jout chamaria isso de tesão intelectual, nesse caso, a falta dele. Mas ainda assim ela tentou. Ao fim do filme, mesmo que eles não tivessem sequer se tocado, foram para a cama juntos e na escuridão do quarto os beijos vieram. Não apenas beijos, muito toque por parte dele, e a cada toque, a sensação de assédio, de estupro, isso não deveria ser assim. Não parece carinhoso, era um tanto quanto constrangedor, mas não era novidade, ela pensava e lutava com ela mesma, dizia para ela que ele não era assediador, ele apenas não sabia ser carinhoso, que era obrigação dela ajudar, e ela tinha que sentir prazer, simplesmente. Foi aí que ela tentou assumir o controle, que foi para cima dele e tentou fazer do seu jeito... por um momento achou que funcionaria. Mas ele não está acostumado com isso, e ele tinha sono, queria algo rapidinho ali que o satisfizesse, apenas isso, e quando ela estava quase lá, percebeu nele seu desinteresse e não conseguiu continuar.

Não adianta mocinha, tesão intelectual é muito relevante para você, se não é compatível, não vai ser gostoso, simples assim...


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