Quando ela dança

A meia luz, os tambores começaram a tocar.
O salão estava vazio.
Não porque pessoas ali não estavam.
O que não havia era presença alguma.
Mas ela não estava se resistindo... aquela noite havia de ser dela sim.
Pediu uma cerveja gelada, e o líquido lhe desceu como se fosse a última bebida no deserto.
Como se aquele ato lhe desse a passagem para qualquer coisa.
Começou a se sentir livre.
Já não se importava mais com aqueles olhares masculinos, que a devorava.
Cansou de conhecer pessoas.
Sim, aquela noite havia de ser só dela.
Os tambores tocavam frenéticos.
Começou a se sentir.
O meio do salão agora havia presença.
Tambores, batuques...
Tum tum...
Pernas, quadris, cintura...
No peito tum tum tum... .
Ai se ali não tivesse teto
Ai se a lua a visse...
só quer os olhos da lua... não quer olhar de mais ninguém.
Quer dançar a noite.
Não importar com luz, com horas, com pessoas.
Tinha de ser ela e só ela.
Ninguém mais.

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