Casa de Loucos

São todos loucos, inclusive a mocinha bonitinha do acordeão. Vêem o trem passar toda noite, como é lindo o trem! É regular, presente mesmo que uma vez só no dia, mas é a hora mais feliz do dia, ele vem todo iluminado saculejando toda a casa como quem diz: reparem, sou eu! E os loucos param para reparar, e admiram.

A louquinha bonitinha do acordeão é uma doçura, sua loucura é viajar na bondade do ser humano. Com certeza a mais louca de todos! O caos acontece e o que ela quer é tocar, para tocar o coração do homem que guerreia. E a guerra chega de verdade! A segunda guerra, não só chega mas perturba a paz dos loucos, maltrata, engana, saqueia. Essa é a guerra, a maldade que invade o ser humano e que atinge inofensivos e inocentes.

A guerra continua, dentro da casa dos loucos, o soldado invade e rouba a paz da mocinha, aquela certeza de que o mundo é bom, aquela esperança de seus olhos. Rouba-lhe a vida e a pureza, homem mau!

Na casa dos loucos há guerra também, assim como o mundo lá fora. Pois a guerra acontece pela loucura do homens, não há sanidade que se explique tamanha brutalidade.

No fim, loucos eram todos, soldados e pacientes, mas mais louca ainda era a mocinha que no fim de tudo recuperou sua pureza e voltou a acreditar na paz e no amor.

Bendita seja essa loucura!

Casa de Loucos - Andrey Konchalovsky

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