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Fugindo um pouco do padrão do blog, se bem que não tem padrão... sou livre e isso aqui é livre também.

Divulguei no orkut, então divulgo aqui também, daqui a pouco invento uma corrente por e-mail... a esperança é a última que morre.

Vou aproveitar isso aqui e falar dos bichos da minha vida, afinal é domingo, o almoço não está pronto, não posso fazer o suco de laranja e estou bastante sentimental.

Vou ignorar aqueles bichos de pelúcia e os bichos que meu pai trazia para a casa quando eu era bebê, esses eu não me lembro muito bem.

Os primeiros a fazer parte de minha vida, foram os dois cágados que meu pai pescou certa vez, ficavam no corredorzinho entre a varanda e o muro... ainda não era concretado e aquele lugar, para o meu tamanho, parecia enorme! Eles passavam os dias lá, pobres coitados, e pobres coitadas de nós, morríamos de medo daqueles dois, mexiam a cabeça pra frente e pra trás e não queriam saber de brincar conosco. Era revoltante... o fim deles foi na panela... quanta maldade!

O segundo a aparecer foi "King", depois de uma frustrante tentativa de ter cágados como animais de estimação, precisávamos de um cachorro. Esse veio da cria da cachorra Sissi da minha avó. Foi amor a primeira vista, o King era o único filhotinho peludo, da ninhada. Há rumores que apesar da cria ter vindo do cruzamento Kiti-Sissi (Kiti era filho de Sissi), coisa que naturalmente não devia dar certo, King poderia ter sido um espermatozóide teimoso e intruso vindo de um cão de corrida que tinha na cidade. Sissi já foi vista de namorico com esse tal. Ignorando a estranhesa de tamanha diferença entre os outros filhotes e no fim pegando amor à essa esquisitice, passamos a chamá-lo de king (rei em inglês), o bichinho chamava atenção de todo mundo, se destacava, era a verdade. O bicho cresceu e ficou famoso na cidade. Diziam que era o cachorro mais feio de Joaíma. Eu nunca concordei! Tamanha infâmia! Ele tinha as pernas compridas magras e sem pelo, já o corpinho era todo peludo, e parecia um pepino equilibrado em cima daqueles quatro compridos pauzinhos. Tinha uma cara de macaquinho, seu rabo, se é que posso falar que ele tinha um, parecia uma gota e sua cor era indefinível. Meus pais na tentativa de deixá-lo mais bonitinho ainda pintou o bichinho fazendo umas manchinhas no pescoço, na testa, e não me lembro onde mais... eu adorei, mas os outros falavam que não deu muito certo não. King tinha seu dom, corria feito furacão e uma resistência que nunca se viu. Meu pai ia para a roça e ele ia atrás, correndo atrás do carro, andava kilometros. Ele se sentia cachorro livre, cachorro de rua, tinha tudo em casa mas era vira-lata, lata-vira... sempre foi. E não tinha o que o segurava, mas sempre retornava para casa.

Durante a longa vida de King em nosso lar, aparaceram por lá alguns outros bichinhos, por exemplo umas galinhas e galos de briga. Eles tinham casinha própria. Era tudo lindo, King tinha ciúmes. Mas esses não se apegaram muito a gente não... mas que tentávamos, tentávamos!

Outro que apareceu durante a estadia de King foi um coelho, minha irmã mais velha ganhou de não sei quem, o coelho aproveitou um galinheiro que tinha no quintal e por lá se estabeleceu. Ele só dava atenção a gente quando tínhamos alface, era um interesseiro! E ainda mordia o dedo a tirar tampo... cretino. King, afinal rei ele era, não admitia dividir a atenção com aquele peludo, e a convivência nesse período estava cada vez mais difícil. Até que um dia King pareceu ter acostumado. Mas depois descobrimos o projeto em que ele tanto trabalhava as escondidas, era um buraco do lado do pé de amora que pretendia passar por baixo do galinheiro. O buraco já estava quase todo pronto, faltava pouco. Tapamos o buraco, mas um dia, King deve ter trabalhado nisso uma madrugada inteira, acordamos com uma barulhada, quando fomos ao quintal estava uma correria só, cachorro atrás de coelho, tão rápido a ponto de endoidecer a cabeça de qualquer um. Salvamos o coelho. Mas no fim das contas depois de um fim de semana que nós passamos na cidade da minha avó, na volta sentimos a falta do coelho... meu pai o tinha vendindo para nosso tio que sem coração o matou e comeu. Foi seu fim.

Depois de King, entrou pelo portão um gatinho doentinho, faminto e triste. Tomei gosto, peguei pra cuidar. Minha mãe o achava feio igual a morte e começou a chamá-lo de mancebo, como eu não sabia o que significava mancebo, comecei a chamá-lo assim também. Depois de alguns meses de cuidados e carinhos o mancebo tinha virado um gatinho lindo! Orgulho meu! Mas o maldito ingrato me abandonou partindo ao mundo. Saindo pelo mesmo portão que meses atrás tinha entrado. Foi meu fim.

Dando sequência, ganhamos um filhotinho lindo, a única de raça da nossa vida. Foi a Ágatha, minha irmã era uma aborrecente metida a culta e andava lendo livros da Ágatha Christie, mas enfim, Ágatha era uma fila brasileira cor caramelo. Essa era preguiçosa que só ela. A noite eu e minhas irmãs jogávamos adedanha para ver quem se levantava da cama para ir tirar a ração que ela intalava no céu da boca e por isso choramingava a noite toda. Essa tivemos que abandonar pois mudamos para a cidade grande e vivendo em apartamento não podíamos trazê-la, deixamos aos cuidados da vizinha.

Depois disso teve o IG, já na cidade grande, meus pais saíndo da igreja viram um cachorro entrar. Ele era cinza e peludo. Um poodle cinza peludo. Pegaram pois viram uma faixa anunciando um cachorro dessa forma. Enquanto ligavam, eu e as irmãs fomos dar o banho. Enquanto eles descobriram que o cachorro da faixa tinha sido encontrado, nós descobrimos que ele era branco. Ficamos com o caozinho. Esse foi na época em que a internet era discada e provedor era IG, lembram-se do mascote do IG? Voltando ao nosso IG, ele era um cachorro viciado em margarina e traumatizado com homens. Era só chegar uma pessoa em minha casa do sexo masculino que ele enlouquecia, latia sem parar, e teve um dia que um homem se aproximou tanto que ele fez xixi, não nas calças porque não tinha, na sala mesmo. Ficávamos muito tempo fora de casa e por isso tivemos que dar para uma amiga da mãe. Saudades do IG.

Depois ainda teve o Vitório. Passarinho que voava meio desmiolado e bateu na janela do nosso apartamento no 5° andar, caiu desacordado na calçada. O chamamos de Vitório pois sobreviveu... bem machucado, mas sobreviveu. Cuidamos do passarinho durante um tempo até que um dia encontramos ele duro atrás do sofá. Morreu.

Ainda teve a Pitty, voltando das férias certa vez, dou com minha irmã berrando dizendo que achou uns cachurrin. Fui até lá com ela, uma esquina perto de casa. Eram oito. Lindos! Resolvemos fazer uma campanha, descemos até a avenida e colocamos um cartaz na árvore em que dizia: "ADOTE UM FILHOTE". Sete foram adotados e sobrou a Pitty, a única fêmea, (seu nome era Pitty pq parecia um mini pitbul) ficamos com ela por um tempo. Mas tivemos que dá-la para outra amiga da minha mãe.

A última foi a Tchulinha, essa do anúncio. Apareceu no meio da noite de sexta-feira, minha irmã e o namorado a encontraram e trouxeram para casa, tão quietinha, tão indefesa. Agora que estamos construindo uma casa já podemos ter cachorro, levamos a Tchulinha para lá. Levei ao veterinário, dei vermífugo, ração e água. Fizemos a casinha, passei a manhã passando uma tela no portão para que ela não saísse, furei meu dedo! Fomos embora e ela ficou. Hoje pela manhã fomos feito excursão ver a Tchulinha e a escada que está para ficar pronta. Chegando lá cadê tchulinha?? Só alguns pedaços de cocô, a vasilhinha de comida vazia e o cordão que a prendia arrebentado. Começamos a busca pelo bairro. Pergunta um, pergunta outro... alguns a viram passeando perto da Igreja antes da missa começar, outros a viram descer na avenida, alguma outra pessoa disse tê-la visto sentar-se na frente de um açougue e outro diz tê-la visto seguir um carrinho de bebê. Indo atrás do pai que levava o bebê, ele confirmou que ela esteve com eles mas logo saiu voltando o caminho. A questão é que ainda não descobrimos por onde anda, tivemos sim algumas pistas mas não sabemos qual direção ela tomou. Agora penso se na sexta a noite nós a encontramos ou se foi ela quem nos encontrou. Será ela a própria vira-lata do mundo. Viramundo, giraterra? Andarilha sem lenço, documento ou direção? Apesar de um dia apenas, já sentimos falta e ela já é nossa... como eu já disse a esperança é a última que morre e agora me retiro para divulgar cartazes pelo bairro. Se é questão de sorte ou destino, não me interessa, só quero Tchulinha de volta!

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