Choro na viola

Dá a viola pro sinhô, ele pede
Eu quero ouvir ele cantar pro meu amô,
que um dia me deixô a contar as histórias,
Histórias do mutum das gerais,
de quando a juventude era amiga,
e cemitério era escondidim dos casais
Se estou abstrato me diga,
Não sou de falar pelos cotovelos,
Mas ela um dia me amou,
E eu ameiela sem parar
havia de ter guerra havia de ter fogo,
eu queria tá com ela,
nós se dava bem,
nós se dava,
mas um dia num dava mais,
deu-se que chegô na cidade um circo
e ela deu pra falar toda hora de uns tal trampolim,
dizia que deus tinha dado o dom préla pular,
Num me dei bem com essa novidade,
mas deixei ela se dar na tal atividade,
E de dia pra dia ela foi amando mais o circo que eu,
E eu passei a amar sozinho,
O que era longitude de pensamento,
passou a ser longitude de estrada.
A danada se foi com o circo e os tal trampolim,
Fez a mala e disse que me amava,
mas sem o circo não havia de poder se dar.
Eu chorei até secar,
Hoje sou um velho sem amor,
só de histórias da amada.

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