Mudando de conversa

Mudando de conversa, onde foi que ficou aquela velha alegria, aquele sonho de ser atleta, aquele poder de convencimento. Tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma, de subir o parque das mangabeiras e descer a pé, cair numa loja de discos e comprar um reggae. Mas eu queria mesmo era tocar você, fazer meu samba... me perdi de mim. Não achei mais nada, o que vou fazer...
De projeto pra rubim, de violão, pandeiro e gaita, de samba e forró, de teatro e de literatura, onde mesmo que parei até eu dar por mim e vir aqui falar do meu já era, do meu perdum.
Eu já gostei tanto dos Rosa, do Guimarães e do Noel, já pensei em ser arquiteta, socióloga e dançarina. Fui parar na engenharia que não me irrita por inteiro mas desenvolve o melhor e o pior de mim. E aqueles meus desejos pelo quebra cabeça, pelos desafios e pelas andanças. Aquela minha vontade de criar, de por no mundo minhas aparências.
Estranho, bizarro... como isso aconteceu.
Hoje vi um passarim verde, me soprou as palavra risco, perigo e emoção, "nada-te contra a corrente" disse ele - então agora quem não viu vai ver a minha onda crescer.

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