A tal da honestidade

Me perguntei sobre a verdade.
Devaneie comigo, acompanhe o raciocínio.
Eu já não acredito mais na honestidade do homem.
Não é uma crise de mulher, não me entenda mal.
Afinal, também não creio na honestidade da mulher, passarei a chamar de homem a ambos, assim como se é de costume desde os primórdios da literatura. Digressão: não faço a mínima sobre os primórdios da literatura e não pretendo fazer nenhum aprofundamento sobre minha falsa verdade, portanto aceite-a, senão... ema ema ema.
Se a questão não é um desabafo de uma pessoa decepcionada com quaisquer atitudes humanas, é então apenas o fruto de minhas divagações em uma manhã chuvosa de sexta-feira enquanto caminho pelo centro da cidade ao meu destino traçado e exato.
Podem não gostar do que digo, a verdade é cruel e quem a teme que se esconda atrás das fantásticas e belas inverdades.
Honestidade, só mesmo de defunto. Quando encontrar algum, dou minha palavra que ele sim será honesto.
A gente nunca consegue ser honesto com nós mesmos em sã consciência, pois pensamos e somos influenciados pelos nossos interesses. Impossível fugir disso. Por mais bondosa que seja alguém, ela tem seus interesses, ou mesmo que seja o interesse dos outros.
Vi uma mulher na rua com sua criança no colo atravessando o sinal enquanto os carros se aproximavam indiferentes. Julguei-a, chamei-a em pensamento de louca e de irresponsável. Depois pensei que não é certo julgar as atidudes dos outros. Quando fui honesta? Ao julgá-la por instinto, ou ao condenar meu julgamento?
Hoje não amei mais aquele homem. Me questionei sobre a súbita paixão que me dominou esses dias, estaria eu sendo honesta ao acreditar nela? Ou a acreditar que fora apenas escape?
Hoje tentei ser honesta, mas já não sabia o que essa palavra significava.
Honesta mesmo só quando defunta eu for.

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