De como a Hippie entrou em minha vida
Era manhã de domingo, saía de um trabalho noturno (não me entenda mal, apenas lavava copos - isso ainda é uma história a ser contada aqui.) e passava pela feira hippie, já estava capengando e minha cabeça parecia que ia parar a qualquer momento. Já passava da hora de tomar o rumo de casa. À caminho encontrei três caras, cada um com um ou dois cachorrinhos. Passei pelos três, os preços dos cachorrinhos eram esperados, preço que eu esperaria em qualquer lugar, todos pequenos, na faixa dos 70 a 150, quando fui no último, ele tinha apenas uma cachorrinha peludinha, quietinha. Como eu disse, meu cérebro estava já parando, eu não estava interessada em comprar nenhum cachorro, nunca comprei um único cachorro, sempre peguei os que me procuravam, os que vinham da rua para minha casa ou coisa do tipo. Foi aí que o cara jogou a ísca:
-Vc quer ficar com ela?
-Ah não moço, estou procurando mais um cachorro grande. (Mentira, eu não tinha dinheiro e não sou de comprar cachorro).
-Mas essa eu não estou vendendo, estou doando.
Para que! Peguei a cachorra e disse: "Eu quero! Me dá?"
Ele me deu um tanto receoso e preocupado mas levei a cachorro sem nada perguntar, (meu cérebro, como eu disse, estava parando).
Mas em seguida parece que o cérebro voltou e pensei porque diabos o cara estava doando um cachorrinho num lugar onde se vendem? O que teria ela? Logo pensei, deve ser surda! Chamei fiz barulho até, mas ela não dava nenhum sinal! Pronto! Era surda.
Poxa vida, vai ser difícil criar uma cachorrinha surda! Seria ela apenas surda? Balancei minhas mãos na frente dos seus olhos, ela não acompanhava, olhava para as coisas e continuava impassível. Descobri que também era cega.
Aí me veio outra luz! Só tinha a visto no colo, nem sei sequer como estão suas patinhas. Chegando no ponto, coloquei-a no chão, e adivinhem... não andava direito! Pensei... é também aleijada!
No caminho fui engolindo toda aquela informação: Minha mãe me mataria se eu trouxesse um cachorrinho sem perguntar-lhe nada, não queria nem imaginar quando eu falasse que ela era surda, cega e aleijada. Quando chegando em casa uma das senhoras do ônibus reparou em minha cachorrinha, disse ela:
- "É muda?"
Nisso eu não tinha pensado... era também muda.
Mas mesmo sendo a cachorrinha tão doentinha, fiquei feliz de ter ela em minha vida, eu estava disposta a cuidar e prometi que nunca, mesmo que me obrigassem eu a abandonaria.
Era disso que eu falava, na hora desses pensamentos me veio todo o livro "A cabana" na cabeça, percebi o quanto meu coração mudou sinceramente depois de lê-lo e o quanto compreendi alguns dos mistérios da vida.
Chegando em casa, a primeira pessoa que a viu foi minha mãe, fiquei tão feliz quando ela recebeu a Hippie com um grande sorriso (o nome dela acho que não preciso mais explicar ), depois falei:
Mãe, tenha paciência com ela, é surda, cega, muda e aleijada.
Mas aos poucos ela foi se mostrando mais segura e com o tempo percebemos que ela não é nem cega, nem surda, nem muda, muito menos aleijada. É parte fundamental em nossas vidas agora. É a integrante mais ágil e pequena da família.
A Shiva veio depois e só cabe a minha irmã Marina relatar o momento do encontro, até por que era a única presente.
-Vc quer ficar com ela?
-Ah não moço, estou procurando mais um cachorro grande. (Mentira, eu não tinha dinheiro e não sou de comprar cachorro).
-Mas essa eu não estou vendendo, estou doando.
Para que! Peguei a cachorra e disse: "Eu quero! Me dá?"
Ele me deu um tanto receoso e preocupado mas levei a cachorro sem nada perguntar, (meu cérebro, como eu disse, estava parando).
Mas em seguida parece que o cérebro voltou e pensei porque diabos o cara estava doando um cachorrinho num lugar onde se vendem? O que teria ela? Logo pensei, deve ser surda! Chamei fiz barulho até, mas ela não dava nenhum sinal! Pronto! Era surda.
Poxa vida, vai ser difícil criar uma cachorrinha surda! Seria ela apenas surda? Balancei minhas mãos na frente dos seus olhos, ela não acompanhava, olhava para as coisas e continuava impassível. Descobri que também era cega.
Aí me veio outra luz! Só tinha a visto no colo, nem sei sequer como estão suas patinhas. Chegando no ponto, coloquei-a no chão, e adivinhem... não andava direito! Pensei... é também aleijada!
No caminho fui engolindo toda aquela informação: Minha mãe me mataria se eu trouxesse um cachorrinho sem perguntar-lhe nada, não queria nem imaginar quando eu falasse que ela era surda, cega e aleijada. Quando chegando em casa uma das senhoras do ônibus reparou em minha cachorrinha, disse ela:
- "É muda?"
Nisso eu não tinha pensado... era também muda.
Mas mesmo sendo a cachorrinha tão doentinha, fiquei feliz de ter ela em minha vida, eu estava disposta a cuidar e prometi que nunca, mesmo que me obrigassem eu a abandonaria.
Era disso que eu falava, na hora desses pensamentos me veio todo o livro "A cabana" na cabeça, percebi o quanto meu coração mudou sinceramente depois de lê-lo e o quanto compreendi alguns dos mistérios da vida.
Chegando em casa, a primeira pessoa que a viu foi minha mãe, fiquei tão feliz quando ela recebeu a Hippie com um grande sorriso (o nome dela acho que não preciso mais explicar ), depois falei:
Mãe, tenha paciência com ela, é surda, cega, muda e aleijada.
Mas aos poucos ela foi se mostrando mais segura e com o tempo percebemos que ela não é nem cega, nem surda, nem muda, muito menos aleijada. É parte fundamental em nossas vidas agora. É a integrante mais ágil e pequena da família.
A Shiva veio depois e só cabe a minha irmã Marina relatar o momento do encontro, até por que era a única presente.
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