Fazenda Santa Maria
Eu sentada na mesinha da sala,
O teto sem forro, paredes de tinta azul já descascando,
Lembro-me da empada que deixei por último no prato,
Minha avó disse: você está comendo demais, não vai dar conta de comer sua empada.
Mas a empada era boa, era raro eu comer empada, ia ser tipo uma sobremesa,
Minha avó dizia: você não vai dar conta.
A comida acabou e o espaço na barriga também.
Tive que dar minha empada...
Agora eu quero aquela empada de 12 anos atrás.
Eu levanto da mesinha e vou para o banheiro,
Onde a pia é quase outro cômodo,
A pasta vermelha close-up num potinho de manteiga,
O espelho na minha frente só revela o que eu já sabia,
Levanto uma sobrancelha, tudo ok.
A outra, tudo ok.
Algumas pintinhas aqui e acolá, marcas que insistem em permanecer.
Não vejo nada que me desagrada, penso porque tenho medo de olhar para esse espelho então.
Havia esquecido, esse registro nunca funcionou, é sempre o da direita.
Lembro e dou risada de mim mesma.
Como isso me irritava... há doze anos atrás.
Cheguei até a decorar: Vovó de Joaíma registro da direita, vovó de Rubim registro da esquerda. Pensava por que diabos existiam dois registros se só um funcionava.
Isso já não me incomoda mais, assim como não me incomoda mais andar até a horta, pois sei agora que o caminho não leva bem ao fim do mundo.
Uakti traz sons nobres que me levam até o Rio Brejaúba, onde eu vou direto para o engenho, agora parado, mas em minha memória vejo aqueles homens colocando as canas dentro do monstro que cospe um caldo tãaaao bom!
Se tem que vender... então venda, mas por favor me deixe as carambolas.
O teto sem forro, paredes de tinta azul já descascando,
Lembro-me da empada que deixei por último no prato,
Minha avó disse: você está comendo demais, não vai dar conta de comer sua empada.
Mas a empada era boa, era raro eu comer empada, ia ser tipo uma sobremesa,
Minha avó dizia: você não vai dar conta.
A comida acabou e o espaço na barriga também.
Tive que dar minha empada...
Agora eu quero aquela empada de 12 anos atrás.
Eu levanto da mesinha e vou para o banheiro,
Onde a pia é quase outro cômodo,
A pasta vermelha close-up num potinho de manteiga,
O espelho na minha frente só revela o que eu já sabia,
Levanto uma sobrancelha, tudo ok.
A outra, tudo ok.
Algumas pintinhas aqui e acolá, marcas que insistem em permanecer.
Não vejo nada que me desagrada, penso porque tenho medo de olhar para esse espelho então.
Havia esquecido, esse registro nunca funcionou, é sempre o da direita.
Lembro e dou risada de mim mesma.
Como isso me irritava... há doze anos atrás.
Cheguei até a decorar: Vovó de Joaíma registro da direita, vovó de Rubim registro da esquerda. Pensava por que diabos existiam dois registros se só um funcionava.
Isso já não me incomoda mais, assim como não me incomoda mais andar até a horta, pois sei agora que o caminho não leva bem ao fim do mundo.
Uakti traz sons nobres que me levam até o Rio Brejaúba, onde eu vou direto para o engenho, agora parado, mas em minha memória vejo aqueles homens colocando as canas dentro do monstro que cospe um caldo tãaaao bom!
Se tem que vender... então venda, mas por favor me deixe as carambolas.
Comentários