O Destino mais uma vez

Travei. Da minha boca não se formavam as palavras que eu queria dizer, buscava em minha mente e elas também não estavam lá, sumiram, desapareceram e a única que vinha representá-las era a modesta "excuse-moi"!
Não disse nada dos meus projetos, nada da minha vida, nada de nada... ou se preferir "rien de rien".
É verdade que eu já estava preparada para ser barrada, mas por me barrarem não por eu mesma fazê-lo. É verdade também que não me preparei, mas nem assim justifica pois as questões eram primárias.
Mas nesse momento, não pretendo me martirizar, voltando de ônibus escolhi acreditar no destino, escolhi lembrar-me que meu costume é criar situações e eu ainda não me via numa situação de 2 anos longe da minha família e tão pior quanto é estar numa cidade fria e melancólica, não por 2 anos.
Como eu disse, preferi acreditar no destino, coisa banal, opção reconfortante. Já sabia que meu lugar era aqui, junto com minha cachorrinha (que neste momento chora para sentar no meu colo, nunca vi mais carente) e com minha adorada família. Sim, já sabia de tudo isso, mas o que ainda me condena é o simples fato de não me descartarem, de eu tê-lo feito por minha conta e risco, é isso que não engoli, mas de novo devo me lembrar do destino, afinal, resolvi acreditar nele.
Tudo bem, acredito em destino, mas cá pra nós senhorita Érika, "nous ont" não tem perdão!
...
E eu tinha dito que não me martirizaria...
E só pra fechar um pensamento otimista que acabei de ler ao acaso na internet, (só pode ser destino):
"Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas, que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo".
Renato Russo
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